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wQuarta-feira, Abril 05, 2006 |
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confesso que trago no peito uma mágua incerta que seca-me a boca que foje o desfeicho. Quisera amar tal garota mas hoje eu duvido que a sorte visite a vida duas vezes. Espero, coitado, costurando mágua, que um dia o azar faça sorte pra mim e toque a trombeta dos anjos, que causem-me cócegas, dó cega de quem sozinho consegue consigo viver da memória, de livros, do escuro e vive bailando em cima do muro jogando confete. Eu quero de novo desejar bom dia e ter o retorno, em meio a euforia, cumprir o desejo que foi desejado, que hoje me é dado como boa educação. eu não lembro da útima vez que eu não me importei com os jardins do visinho, ou de passar por tua rua sem desviar das pegadas. Meu Deus, eu sou uma frau(l)de(a).
oh sim.. estou cansado de pornografia light.
 A pintura é do Monet e se chama Nirvana Amarelo. Eu vou passar o próximo bimestre ficando louco com ele ta? ...tá.
posted by
Haroldo at 10:57 AM
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wQuarta-feira, Janeiro 04, 2006 |
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Nossa Truculência
Quando penso na alegria voraz com que comemos galinha ao molho pardo, dou-me conta de nossa truculência. Eu, que seria incapaz de matar uma galinha, tanto gosto delas vivas mexendo o pescoço feio e procurando minhocas. Deveríamos não comê-las e ao seu sangue? Nunca. Nós somos canibais, é preciso não esquecer. E respeitar a violência que temos. E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo, comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha e no entanto comê-la morta me confunde, espanta-me, mas aceito. A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também.
(clarice Lispector)
phoenix - too young
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Haroldo at 11:24 AM
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